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23 de setembro de 2010

Primeira versão do Uroboro

Abaixo, primeira versão do Uroboro - Serpente do Mundo: coreografia premiada de Cínthia Nepomuceno e Esquilo. Performance de Gamila e Esquilo.





Parece esquizofrenia, mas não é: Cínthia Nepomuceno e Gamila são a mesma pessoa em termos físicos, mas em termos artísticos são personas diferentes. Hehehe...

12 de janeiro de 2010

O velho e bom Aiua!

Férias, início de ano novo, saudosismo... Estou nostálgica.
Encontrei a antiga página da web do meu velho e bom grupo Aiua! e me deu uma saudade imensa daqueles tempos!!!

Como gosto de ilustrar esse blog, resolvi contar umas historinhas daquele grupo.

Criei essa companhia de dança que passou a se chamar Aiua! Tribo de Dança em novembro de 1997. Estava com o saco estourando das coisas bizarras da área de dança do ventre e resolvi combater aquelas coisas feias, horrendas, ridículas, com uma boa dança. E funcionou por um bom tempo. Aiua! acabou em 2005. Transformou-se em outra coisa. Virou um método de dança. Mas penso que, assim como eu, Aiua! só está de férias. Porque revendo as fotos, pensei no imenso potencial que ainda resta a ser trabalhado.

Vejam só:


Uroboro - Serpente do Mundo

Uroboro faz parte do repertório da primeira formação do grupo. Temos um vídeo que um dia conseguirei colocar na web (ainda não disponho de conhecimentos suficientes para as conversões necessárias...). Éramos 14 integrantes: de dança, música, capoeira e teatro. Chegamos a trabalhar com artistas visuais, com projeções de slides, maquiagem corporal, confecções de figurinos especiais etc. Era 1998.

Tínhamos coreografias simples também, tenho fotos lindas daquele início... Dançando para milhares de pessoas na festa de encerramento do festival de cinema de Brasília em 1997, por exemplo. Vejam:



Vou fazer esse post pequeno, para desfrutar de outros posts sobre o Aiua! durante o ano que se inicia. É o ano do Tigre no horóscopo chinês. Sou tigre. Algo de bom deve sair dessa configuração. Quem sabe um Aiua! mais selvagem, mais tigrado, mais 2010 possa ser inaugurado, reinventado, renascido! Aiua! para todos nós.

10 de maio de 2009

As mães também dançam

Estranho começar um post com um título do qual discordo. Mas vou manter assim. Quando colocamos a palavra 'também' numa frase, de certo modo realizamos uma distinção. É como se as mães fossem diferentes de outras mulheres. Mesmo assim, deixarei que o título permaneça, a título de provocação.

Foi com a minha gravidez que tomei contato com a dança do ventre. Afinal de contas, eu estava na graduação em Dança na universidade e tinha que me manter dançando. Mas não podia mais jogar minha capoeira querida, ou estrebuchar nas aulas de dança contemporânea. Além disso, precisava de um dinheiro extra, porque a família ia aumentar. Por ironia do destino, passei a trabalhar como secretária de uma academia de dança do ventre. Detalhe: eu tinha o maior preconceito contra o que eu chamava de "aquela dancinha".

Mas aquela dancinha ardilosa foi tomando conta de meus sentidos. Véus coloridos atiçavam minhas vistas, o aroma dos incensos fumegava em minhas narinas, a música deliciosa vibrava em meus tímpanos, os tapetes persas faziam massagens em meus pés. Até mesmo meu paladar mudou, passei a apreciar os temperos árabes e logo me apaixonei por tudo. Via as aulas acontecendo e minha barriga crescendo, precisava dançar e num impulso passei a frequentar uma das turmas de iniciantes. Não preciso dizer que a maternidade transformou a minha vida. Eu era uma mamãe dançante e muito mais feliz por ter sido acolhida por uma prática suave e ao mesmo tempo forte.

Naqueles tempos, muitas das minhas colegas faziam abortos porque bailarinas não deveriam ser mães. Eram coisas que não combinavam. Como no antigo jogo da memória do SBT, poderíamos afirmar: dança e maternidade não formam par! Acompanhei o sofrimento de muitas delas, as crises existenciais, principalmente o desespero das que optavam por levar a gravidez adiante. Era como uma sentença de fim de carreira. E eu, que aos 19 anos havia encontrado o homem da minha vida, estava casada de papel passado, aliança e bênção católica, tomei uma decisão: transformar meu corpo em um símbolo da campanha a favor da gravidez dançante. Entusiasta como de costume, eu panfletava: vou provar para esse povo que uma mulher pode ser mãe e ter uma carreira de dança bem sucedida.

Não vou dizer que foi fácil. E nem sei se minha campanha deu certo. Descobri que não existe o homem da vida de ninguém, muito embora eu tenha o melhor ex-marido do mundo (sério!). Tenho uma filha de 13 anos que é uma das razões de eu continuar viva até hoje. Tanto que agora, no dia das mães, escolhi fazer uma homenagem a ela e a tudo o que ela me trouxe de maravilhoso e ainda me traz! Amo profundamente a Lara. Ela me faz forte, me apóia e até dança comigo. É um ser humano de qualidades inestimáveis! Minha filha, minha amiga, minha irmã e algumas vezes meu pai. Cuida de mim, como se fosse um pai. É que eu sou uma mãe um pouco diferente da maioria...

Concluam vocês se eu atingi minha meta. Continuei dançando, não saí da área em que escolhi atuar. Passei momentos sem dinheiro, precisando do apoio de outras pessoas: mãe, avó, ex-marido, namorado, amigos. Também consegui dinheiro com algumas coreografias premiadas, shows esparsos, aulas, oficinas, programas sociais, patrocínios. Fiz meu mestrado em arte, tendo a dança do ventre como tema, com direito a pesquisa de campo no Egito. Estou feliz. Ser mãe nunca me impediu de dançar e investir no caminho profissional escolhido. É certo que em alguns momentos precisei desviar as rotas. Mas sempre voltei para a trilha original, onde continuo.

Para as mães que dançam, um feliz dia das mães! Ainda que eu tenha minhas ressalvas em relação a essas datas comerciais instituídas. E que fique bem claro que eu não tenho nada contra o aborto. Minha campanha era para ampliar opções.

Que as mulheres possam decidir sobre seus corpos e seus destinos sempre! Que possam ser mães se e quando quiserem. Que tenham o direito de não ter filhos se assim o desejarem. E que ninguém as importune perguntando ostensivamente quando serão mães. Essa idéia de que só quem é mãe atinge a realização pessoal está deixando muitas mulheres desequilibradas, frustradas, deprimidas, desesperadas. Graças aos deuses a realidade está aí para atestar que isso é uma grande mentira. A realização pessoal depende de uma série de coisas, todas particulares, individuais, pessoais e intransferíveis. Sejamos felizes!

Mabruk! Mabruk! Habibas... Mabruk!