Da última vez em que isso aconteceu era 2002. O bellydance boom da novela "O Clone". Coincidência ou não, Glória Perez mal entrou no ar e já se anuncia uma avalanche de bizzarices no mundo da dança. Não estou me referindo àqueles movimentos estranhos da dança indiana que inundam as telas dos milhões de brasileiros atentos aos (des)caminhos das Índias. Mas a um clima tenebroso que se anuncia e que vem se espalhando suavemente pela mídia.
Pra começar vi que estão para lançar uma versão de American Idols com dançarinos no lugar dos costumeiros cantores. E as coreografias mostradas como chamariz do programa são pra lá de esquisitas. Sinal dos tempos. É como estão encarnando a dança agora. Professores de plantão, preparem-se! Vocês terão que ensinar as pessoas a dançar aqueles passos "belíssimos" e "inovadores", senão vão perguntar que tipo de professor de dança vocês são! Será que estou ficando velha e ranzinza? Céus! Não quero parecer o meu pai que não me deixava escutar LPs de rock'n'roll porque não faziam bem para os ouvidos. Mas aquelas dancinhas quase me deixaram vesga. Tá certo, uma ou outra coisa se salva... Mas o gosto não deixa de ser duvidoso.
Quando estava me refazendo do horror e ainda tentando apagar da mente as imagens do que vai acontecer nas academias Brasil a dentro, dou de cara com a seguinte manchete: Dançarina de discoteca transformada em freira dançará em basílica romana. Minha cadeira de escritório que é giratória quase cai pra trás e me causa um grave acidente. Mas o que será isso? Abri a matéria para ler. Era um link na página do Terra que seguia para o Jornal O Dia Online. Pior do que a manchete era a primeira frase do texto: "Uma dançarina especializada em lap-dance que animava as noites de Milão e se tornou depois freira dançará no próximo dia 7 na Basílica romana de Santa Cruz de Jerusalém, em um ato presidido pelo presidente do Conselho Pontifício para a Cultura, o arcebispo Gianfranco Ravasi". Santo Deus, como sou ignorante! Não sei o que é lap-dance, não sabia que animadoras e dançarinas eram a mesma coisa e desconhecia que havia um Conselho Pontifício para a Cultura. Pior ainda, um Conselho Pontifício para a Cultura que ainda incentiva a dança. Lembrei dos idos de 1996 quando ministrei um curso de Extensão na Universidade Católica de Brasília e do sufoco que enfrentamos enquanto grupo performático na hora de conseguir espaço para mostrar nosso trabalho. Se eu não fosse tão ignorante, teria pedido ajuda ao tal Conselho, afinal... Mas a vida é assim, vivendo e aprendendo... E continuando no aprendizado do pontificado da dança, no artigo é mencionada outra espécie de dança que também desconhecia: a dança sacra contemporânea. Estupendo! A Irmã Dançarina fundou ainda uma escola que catequiza as crianças por meio da dança. Ainda bem que encontraram uma nova função para a dança, já que está tão difícil trabalhar na área. E eu aqui, perdendo o meu tempo reclamando que não dão ao corpo o valor devido quando se trata de produzir conhecimento. De fato, o ser humano ainda pode me surpreender. E muito!
É por isso, caros leitores, que peço: salvem-se enquanto é tempo. Eu já não tenho salvação, sou uma alma perdida e entregue a uma dança onde meu corpo não é "o templo do Divino Espírito Santo". Ai de mim. De uma coisa eu sei, sou chata por opção. E dei de cara com uma frase que prova cientificamente que sou chata. O tal de Voltaire falou uma vez: "O segredo de ser chato é dizer tudo!". Eu digo mesmo. Chato esse tal de Voltaire!
* Reportagem sobre a Freira Dançarina.
Pra começar vi que estão para lançar uma versão de American Idols com dançarinos no lugar dos costumeiros cantores. E as coreografias mostradas como chamariz do programa são pra lá de esquisitas. Sinal dos tempos. É como estão encarnando a dança agora. Professores de plantão, preparem-se! Vocês terão que ensinar as pessoas a dançar aqueles passos "belíssimos" e "inovadores", senão vão perguntar que tipo de professor de dança vocês são! Será que estou ficando velha e ranzinza? Céus! Não quero parecer o meu pai que não me deixava escutar LPs de rock'n'roll porque não faziam bem para os ouvidos. Mas aquelas dancinhas quase me deixaram vesga. Tá certo, uma ou outra coisa se salva... Mas o gosto não deixa de ser duvidoso.
Quando estava me refazendo do horror e ainda tentando apagar da mente as imagens do que vai acontecer nas academias Brasil a dentro, dou de cara com a seguinte manchete: Dançarina de discoteca transformada em freira dançará em basílica romana. Minha cadeira de escritório que é giratória quase cai pra trás e me causa um grave acidente. Mas o que será isso? Abri a matéria para ler. Era um link na página do Terra que seguia para o Jornal O Dia Online. Pior do que a manchete era a primeira frase do texto: "Uma dançarina especializada em lap-dance que animava as noites de Milão e se tornou depois freira dançará no próximo dia 7 na Basílica romana de Santa Cruz de Jerusalém, em um ato presidido pelo presidente do Conselho Pontifício para a Cultura, o arcebispo Gianfranco Ravasi". Santo Deus, como sou ignorante! Não sei o que é lap-dance, não sabia que animadoras e dançarinas eram a mesma coisa e desconhecia que havia um Conselho Pontifício para a Cultura. Pior ainda, um Conselho Pontifício para a Cultura que ainda incentiva a dança. Lembrei dos idos de 1996 quando ministrei um curso de Extensão na Universidade Católica de Brasília e do sufoco que enfrentamos enquanto grupo performático na hora de conseguir espaço para mostrar nosso trabalho. Se eu não fosse tão ignorante, teria pedido ajuda ao tal Conselho, afinal... Mas a vida é assim, vivendo e aprendendo... E continuando no aprendizado do pontificado da dança, no artigo é mencionada outra espécie de dança que também desconhecia: a dança sacra contemporânea. Estupendo! A Irmã Dançarina fundou ainda uma escola que catequiza as crianças por meio da dança. Ainda bem que encontraram uma nova função para a dança, já que está tão difícil trabalhar na área. E eu aqui, perdendo o meu tempo reclamando que não dão ao corpo o valor devido quando se trata de produzir conhecimento. De fato, o ser humano ainda pode me surpreender. E muito!
É por isso, caros leitores, que peço: salvem-se enquanto é tempo. Eu já não tenho salvação, sou uma alma perdida e entregue a uma dança onde meu corpo não é "o templo do Divino Espírito Santo". Ai de mim. De uma coisa eu sei, sou chata por opção. E dei de cara com uma frase que prova cientificamente que sou chata. O tal de Voltaire falou uma vez: "O segredo de ser chato é dizer tudo!". Eu digo mesmo. Chato esse tal de Voltaire!
* Reportagem sobre a Freira Dançarina.