Na prática, a dança solo improvisada, tanto para homens quanto para mulheres, é a forma primária de dança, com muitas variações individuais e locais, por todo o Egito. Essa forma de dança é talvez a mais mal interpretada tradição de dança no mundo. Em uma de suas numerosas formas é conhecida como dança do ventre, ou danse orientale ou raqs sharqi, como seu praticante preferir.
17 de novembro de 2009
O que é a dança do ventre?
27 de junho de 2009
Fita Amarela
Fernanda Abreu em um programa da Globo News disse que Michael Jackson tem o mesmo valor de uma Isadora Duncan para a História da Dança. Eu, que sempre fui fã do aclamado rei do pop, nunca tinha pensado assim. Mas concordo com essa afirmativa. Principalmente depois de ouvir o depoimento de Deborah Colker a respeito de como ele se expressava quando dançava, do uso das várias partes do corpo, da criatividade e inovações.
Falar de Michael é complicado, não tenho o devido distanciamento. Quando criança imitava seus passos, até a idade adulta ouvia e cantava suas músicas. Ainda canto. Lembro de um especial sobre música onde João Marcelo Bôscoli dizia que Billie Jean é a melhor música de todos os tempos e que ele evitava ouví-la para que não perdesse o encanto. Passei a imitar João Marcelo. Concordava com ele. Lamentei muito o período de decadência de Michael Jackson. E agora me assombro com a proporção que tomou a notícia de sua morte. Gostaria que as pessoas tivessem feito tudo aquilo antes de ele morrer. Cantando nas ruas, imitando o ídolo, se descabelando, chorando, gritando, permanecendo em silêncio. Agora não adianta nada. Pelo menos eu não acredito que ele esteja assistindo a todas essas manifestações. Não sou espírita. Seja como for, preferia que ele tivesse morrido consciente de sua importância histórica. Acredito que nem ele tenha pensado em sua contribuição para a história da dança, tampouco sobre seu status de transformador de estéticas à altura de alguém como Isadora.
Pensei que pudesse passar incólume a toda a comoção de sua morte. Mas como membro da área de dança, não tenho o direito de fazer silêncio agora. Não vou também ficar arrancando meus cabelos e não cheguei a derramar lágrima, embora tenha ficado com os olhos cheios delas em alguns momentos. Fiquei triste sim. Mas coloco o assunto aqui, muito mais no sentido de despertar reflexões. Também não vou postar fotos dele no blog. Mesmo porque não saberia escolher uma foto que o representasse dignamente nesse momento. Enfim, fica aqui minha contribuição. Sem muitas delongas, sem choro, nem vela, nem uma fita amarela. Se bem que Fita Amarela, a música de Noel Rosa, bem cabe nesse espaço. Observem como pode se aplicar ao caso:
Quando eu morrer
Não quero choro nem vela
Quero uma fita amarela
Gravada com o nome dela
Se existe alma
Se há outra encarnação
Eu queria que a mulata
Sapateasse no meu caixão
(Oi, sapateia, oi, sapateia)
Não quero flores,
Nem coroa com espinho
Só quero choro de flauta,
Com violão e cavaquinho
Estou contente
Consolado por saber
Que as morenas tão formosas
A terra um dia vai comer
Não tenho herdeiros
Não possuo um só vintém
Eu vivi devendo a todos
Mas não paguei nada a ninguém
Meus inimigos
Que hoje falam mal de mim
Vão dizer que nunca viram
Uma pessoa tão boa assim
Quero que o sol
Não visite o meu caixão
Para a minha pobre alma
Não morrer de insolação
15 de abril de 2009
A Cura
Prometi que iria em busca da cura para o mal dançante que promete devastar nosso cotidiano. Na verdade eu já tinha o antídoto em casa. Vou começar a distribuir agora, aqui!
No cotidiano contemporâneo tem sido freqüente a utilização de práticas de dança como alternativa para a promoção do bem-estar e para o acesso a conteúdos emocionais. Essa possibilidade se justifica porque a dança, além de ser uma atividade física que promove a mobilidade corporal de forma aeróbica, é antes de tudo uma forma de expressão artística. E como forma de expressão, pode abrir canais para manifestações de conteúdos emocionais e do pensamento que dificilmente se traduziriam por meio de discursos verbais e/ou raciocínios lógicos.
A história da dança se perde no tempo em trajetórias incertas das várias populações humanas. É reconhecidamente uma prática ancestral que hoje em dia se faz presente em momentos de confraternização, rituais tribais, comemorações festivas e eventos artísticos ao redor de todo o mundo. Terapeutas corporais das mais diversas nacionalidades vêm utilizando a dança como veículo catalisador de estados emocionais ou mesmo como um canal de socialização. As práticas coletivas restabelecem vínculos afetivos entre pessoas interessadas em combater o stress da vida moderna. Iniciativas bem sucedidas com o uso da dança nesse sentido apresentam relatos de participantes que resgataram a auto-estima e as sensações de prazer e bem-estar físico e emocional. Um dos expoentes da prática de dança como forma terapêutica, nos Estados Unidos, é Gabrielle Roth, que atua na área há mais de 35 anos.
Em seu livro Os Ritmos da Alma (1997), Gabrielle Roth descreve alguns episódios de seu trabalho desenvolvido junto a milhares de pessoas nos mais diversos ambientes – escolas, hospitais, corporações, teatros e centros de desenvolvimento. Além de retratar experiências bem sucedidas com dança em ambientes de terapia, a autora enfatiza que o ser humano moderno, abrigado em pequenas habitações e com extrema valorização da individualidade, sente necessidade de resgatar a consciência tribal que os une às outras pessoas de seus bairros e cidades, aquela sensação de que todos estamos compartilhando o mesmo mundo.
Selecionei uma pequena mostra do que essa artista incrível faz pelo mundo e coloquei aqui como nossa vacina, nosso antídoto, a minha cura prometida!
