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29 de junho de 2010

Poéticas Sensoriais

Eu e uma equipe de pessoas maravilhosas estamos envolvidos no projeto chamado Poéticas Sensoriais, cujo objetivo principal é ampliar as possibilidades didático-metodológicas para o processo de ensino-aprendizagem de dança com o caráter de inclusão. A idéia é apresentar metodologias para a participação de pessoas com deficiências diversas em processos criativos.

Em 2008 fui convidada a dar oficinas para o projeto Arte para Todos da Secretaria de Cultura aqui do Distrito Federal. A turma, composta por pessoas com as mais diversas necessidades de atenção especial, me deu uma lição. Percebi que eu não tinha a menor possibilidade de trabalhar com tantas especificidades e inicialmente me senti impotente e incapaz. Foi a partir de uma proposta de improvisação que notei o quanto nós da área de dança estamos ligados a imagens. E isso dificultava a integração, por exemplo, daqueles que não enxergam ou enxergam pouco.

Passei a refletir sobre nossa dependência do uso da visão para a referência sobre quais os movimentos mais adequados para determinadas propostas criativas e fiquei lamentando que as pessoas cegas precisassem de outras pessoas para comandar seus movimentos de dança. Eu pensava que não era justo que eles já dependessem tanto das pessoas, cães-guias, bengalas e acessórios diversos em seus cotidianos e ainda ficassem limitados a esses auxílios na hora de improvisar. A dança tem o caráter de libertar o corpo, mas naquela situação parecia mais uma forma de limitação.

Discutindo com outros colegas de doutorado, chegamos a um primeiro passo, que seria desenvolver vestimentas que pudessem responder ao movimento e assim inspirar a improvisação de pessoas com dificuldades. Se o improvisador não escutasse, a roupa poderia piscar luzes, mudar de cor, para inspirar movimentos criativos. Caso a dificuldade fosse visual, a roupa poderia acionar mecanismos que produzissem sons e/ou vibrassem no contato com o corpo. Desse modo a pessoa improvisaria a partir de si mesma e da experiência com a roupa, sem necessitar de um outro ser para conduzir a experiência. A pesquisa das vestimentas é realizada por Flávia Amadeu, designer com um trabalho ímpar.

Como precisávamos de música, ou melhor, uma trilha sonora (porque a idéia era compor trechos de performance artística), convidamos Eufrásio Prates - mais um pesquisador conceituado que tem um trabalho de música relacionado à física (confesso que não sei explicar direito o que ele faz, só sei que é maravilhoso!). Uma de suas propostas acabou sendo a ferramenta principal de nosso projeto, porque ele desejava criar sons e imagens a partir da captação de movimentos. Ou seja, para nós, liberdade total já que os improvisadores nem necessitariam mais de roupas para ampliar seus repertórios de movimento por meio da vivência sensorial.

Tem sido um aprendizado constante. Temos um grupo de pessoas bastante heterogêneo e eu dentro disso venho crescendo a cada dia, pensando em alternativas para enriquecer as pesquisas e sempre chegando à conclusão de que somos bastante limitados criativamente porque estamos presos a crenças, hábitos e outros determinismos dos quais nem temos consciência!

Temos um blog do projeto em fase de contrução:

http://projetopoeticassensoriais.blogspot.com/

Detalhes importantes: Temos apoio financeiro do FAC-DF até agosto/2010. Contamos também com o apoio da CTIS na aquisição de equipamentos eletrônicos e de informática.